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22/03/2014 - Morrer em Curitiba de outrora

Jean Batptiste Debret/Reprodução /

HISTÓRIA

Morrer em Curitiba de outrora

Livros de óbitos ainda hoje arquivados na Catedral da cidade revelam os anseios, preocupações e vontades dos curitibanos em relação à morte. Local de sepultamento, vestuário e ritos fúnebres eram requisitados em testamentos

Publicado em 22/03/2014 | 

As expectativas em relação à morte e aos rituais que a acompanham sofreram profundas transformações ao longo do tempo. Atualmente, quando pensamos sobre o fim da vida, muitas vezes, nos lembramos de alguns espaços, com destaque para os cemitérios e seus jazidos. Outrora, os anseios e as lembranças suscitados por esse momento eram muito diferentes. Os habitantes dos núcleos urbanos do Brasil colonial, entre os séculos 16 e início do século 19, possuíam concepções e preocupações que se afastavam nitidamente das dos dias de hoje.

Naquele período, a baixa expectativa de vida e as altas taxas de mortalidade, ainda maiores durante as epidemias, intensificavam a presença da morte no cotidiano das populações. Essa lembrança recorrente do fim da vida também fazia parte do dia a dia dos curitibanos de outrora. Elevada a categoria de vila em 1668, os seus habitantes viviam de forma modesta, dedicando-se principalmente à pecuária e à agricultura de subsistência. Apesar das dificuldades econômicas, os habitantes da vila preocuparam-se em fundar as instituições importantes para a época, como a Câmara Municipal e a Igreja.

Jean Batptiste Debret/Reprodução

Jean Batptiste Debret/Reprodução / Ampliar imagem

Os indivíduos com posses muitas vezes registravam suas últimas vontades, indicando aspectos considerados essenciais para uma boa morte. O vestuário (mortalha), as cerimônias fúnebres (missas) e, finalmente, o local de sepultamento eram fatores importantes que influenciavam o percurso da alma no plano celeste.

Cemitérios eram as últimas alternativas para os que almejavam a felicidade eterna, enquanto o sepultamento no interior de igrejas facilitava a obtenção de auxílio no plano celeste.

Referências

Leia mais sobre esse tema em:

• BURMESTER, Ana Maria de Oliveira. A População de Curitiba no Século XVIII. (1751-1800). Dissertação de Mestrado: Universidade Federal do Paraná, 1974.

• ELIAS, Norbert. A Solidão dos Moribundos: Seguido de Envelhecer e Morrer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.

• LE GOFF, J. O Nascimento do Purgatório. Lisboa: Estampa, 1993.

• MORAES, Juliana de Mello. Sacralização da Pobreza: Sociabilidades e Vida Religiosa numa Pequena Vila da América Portuguesa. Dissertação de Mestrado: Universidade Federal do Paraná, 2003.

• REIS, João José. O Cotidiano da Morte no Brasil Oitocentista. In: ALENCASTRO, Luiz Felipe de. (org.) História da Vida Privada. Império: A Corte e a Modernidade Nacional. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. Vol. 02.

• VAINFAS, Ronaldo. (Dir.). Dicionário do Brasil Colonial. (1500-1808). Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

A data exata de fundação da paróquia de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, onde se situava a vila curitibana, é incerta, contudo encontram-se registros sobre batizados, casamentos e óbitos desde meados do século 17. Esses documentos desvendam diversos aspectos da vida dos curitibanos daquela época. A partir dos livros de óbitos, por exemplo, é possível verificar onde eram sepultados os moradores da vila e os ritos fúnebres que foram requisitados nos testamentos.

Moradora da vila de Curitiba, Custódia Rodrigues França era viúva quando faleceu em fevereiro de 1781. Segundo o seu registro de óbito, ela especificou suas últimas vontades em seu testamento. Nesse documento ela solicitou a celebração de diversas missas pela sua alma, incluindo uma especial de “corpo presente” na igreja matriz de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, onde seu corpo foi sepultado. Os desejos expressos pela viúva em seu testamento não eram em nada extraordinários. Muitas pessoas preocupavam-se sobremaneira com os seus últimos momentos sobre a Terra e, acreditando na sobrevivência da alma, esmeravam-se quanto possível em planejar cuidadosamente seus rituais fúnebres.

Destino

Os receios provocados pelo momento da morte justificavam-se, pois o destino da alma era incerto e variava de acordo com a vida e as escolhas do indivíduo. Três espaços principais marcavam a geografia celeste: Inferno, Purgatório e Paraíso. Este último era a morada dos justos, local por excelência da felicidade eterna, era o destino mais desejado, porém adentrar as suas fronteiras exigia do fiel uma vivência e uma morte dentro dos cânones estabelecidos pela Igreja. Para conseguir esse privilégio, era indispensável evitar todos os tipos de pecado, desde os mais leves aos mais graves, e ter uma vida dedicada à elevação da fé cristã. Em contraposição ao Paraíso estava o Inferno. Local temido, pois caso a alma para lá rumasse, nada poderia ser feito para que escapasse de seus tormentos. Essa crença fazia com que o momento da morte fosse crucial para a salvação da alma, uma vez que se arrepender dos pecados cometidos durante a vida poderia ser uma das atitudes para escapar dessa terrível condição. Enquanto o Inferno e o Paraíso não possibilitavam trâmites a outros locais, ou seja, uma vez que a alma lá chegasse nada poderia ser feito para alterar sua condição, o Purgatório representava um local de passagem. Ali se purgavam os pecados mais leves. Como uma instância intermediária, o Purgatório possibilitava aos indivíduos a esperança de atingir o Paraíso. Nessa perspectiva, a crença no Purgatório ampliava a necessidade de cuidar do momento de passagem, da entrada da alma no plano celeste, visto que havia hipóteses de mudança entre os espaços no outro mundo.

Elementos

Essas concepções sobre a morte e suas consequências faziam parte do cotidiano dos católicos tanto na Europa quanto na América do Sul. Também os curitibanos compartilhavam dessas crenças, como demonstra o testamento de Custódia Rodrigues França. Sempre que possível os indivíduos elaboravam o seu testamento, desejando abreviar a passagem da sua alma pelo Purgatório. No entanto, nem todas as pessoas possuíam recursos suficientes para fazer seu testamento, pois havia custos envolvidos no processo, incluindo aqueles para a realização das cerimônias do velório e enterro. Os indivíduos com posses muitas vezes registravam suas últimas vontades, indicando aspectos considerados essenciais para uma boa morte. O vestuário (mortalha), as cerimônias fúnebres (missas) e, finalmente, o local de sepultamento eram fatores importantes que influenciavam o percurso da alma no plano celeste. Contudo, a seleção desses elementos alterava-se de acordo com as devoções e as relações que se estabeleciam durante a vida.

A mortalha possuía um significado importante para os fieis no período colonial, a escolha da roupa fúnebre correta poderia auxiliar na salvação. Por isso, em muitos casos, os testadores especificavam o vestuário para o seu funeral, tal como fez Patrício Ribeiro do Valle, morador da vila de Curitiba. Falecido em 1795, Patrício, em seu testamento, ordenou que seu corpo fosse “envolvido no hábito de São Francisco”. Hábitos de santos ou de cores lisas (brancas ou pretas, por exemplo) eram os trajes fúnebres mais comuns naquela época. Em Curitiba havia a preferência pela mortalha franciscana, como demonstram os registros de óbitos da segunda metade do século 18. A opção por ser sepultado como São Francisco se justificava, pois um dos poderes atribuídos ao santo seria a sua capacidade de resgatar as almas no Purgatório. Além disso, diversos Papas, principalmente no século 16, concederam indulgências às vestes franciscanas, o que auxiliava no perdão dos pecadores quando enterrados com o hábito. Todas essas qualidades tornavam a roupa de São Francisco uma das mais utilizadas entre os fieis defuntos.

A missa de “corpo presente” no velório e, após o enterro, aquelas dedicadas à alma do falecido, também colaboravam para expiar os pecados e abreviar o tempo de purgação da alma. Da mesma forma que Custódia Rodrigues França outros curitibanos requisitaram em seus testamentos celebrações litúrgicas. Como rememora a paixão de Cristo, esse evento marca a proximidade dos homens ao divino, sendo fundamental na relação entre fieis e Igreja. Essa importância atribuída à celebração da missa desenvolveu-se desde a Idade Média, tornando-a, ao longo do tempo, o principal ato para o socorro às almas atormentadas pela expiação.

Local de enterro podia interferir na salvação

O local de enterro também poderia colaborar ou impedir a salvação. A preocupação com esse aspecto transparecia no medo de morrer em áreas isoladas ou no mar, onde as possibilidades de sepultamento em solo sagrado eram quase nulas. Os mortos sem sepultura eclesiástica possuíam poucas hipóteses de elevação de sua alma. Existiam três formas de sepultamento eclesiástico: no cemitério, no interior da igreja ou no adro, parte circundante do edifício. O cemitério, mesmo que benzido por um pároco, representava a última alternativa para aqueles que almejavam a felicidade eterna. Quase sempre distantes das igrejas, muitas vezes abandonados e ermos, os cemitérios abrigavam pessoas consideradas indignas ou pouco qualificadas (indigentes, suicidas, etc.) pela Igreja no Brasil colonial.

Nos templos, os fieis eram sepultados no adro ou no interior da construção. O adro equivalia a uma extensão do corpo da igreja, local sagrado, deveria ser respeitado do mesmo modo que o seu interior. Geralmente pobres, negros ou escravos eram sepultados nesse espaço, pois as sepulturas ali eram gratuitas. O interior da igreja recebia defuntos que pagavam a “esmola de costume”. Esses indivíduos ampliavam suas possibilidades de salvação, sobretudo porque recebiam missas e rezas enquanto existisse a igreja. Também, acreditava-se que ser sepultado próximo aos altares de devoção facilitaria a obtenção de auxílio no plano celeste.

De acordo com o livro de registros de óbitos referentes às pessoas livres da vila, entre 1780 e 1790, grande parte dos curitibanos foi sepultada na igreja de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, matriz da paróquia (hoje a Catedral da cidade), seguida da Capela do Terço e pela Igreja do Rosário, respectivamente. É importante sublinhar que tanto no cemitério quanto nas igrejas – adro ou interior – as sepulturas não possuíam identificação. Anônimas, as covas não identificavam aqueles que lá estavam. Somente as sepulturas perpétuas recebiam a nomenclatura de seu proprietário e família, sendo a obtenção dessa regalia acessível a poucas pessoas. Em Curitiba nenhum registro indica essa forma de enterro naquele período.

Como em outras povoações da época, a religião tinha papel central no cotidiano da população curitibana. Mesmo com parcos recursos a sua disposição, seus moradores se esforçaram por perpetuar as instituições caras à colonização, com destaque para a Igreja. Nos templos da vila eram cultuados os santos, celebrados diversos atos litúrgicos, incluindo aqueles destinados a elevar a alma dos seus falecidos.

Juliana de Mello Moraes defendeu sua tese de doutorado na Universidade do Minho, Portugal (2010) e seu mestrado pelo Programa de Pós-Graduação do Departamento de História da Universidade Federal do Paraná (2003). Atualmente é pós-doutoranda na Universidade de Lisboa. O seu campo de investigação versa sobre a História Cultural e História Religiosa no Período Moderno, com ênfase tanto em Portugal quanto na América portuguesa. Apresentou e publicou diversos trabalhos sobre as práticas religiosas e assistenciais em distintos espaços do Império português.

Inserida por: Dr. Espirito Santo fonte:  GAZETA DO POVO
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